Se por um lado, a inteligência artificial (IA) facilitou o trabalho remoto, por outro lado ela também deu aos cibercriminosos um novo disfarce poderoso. Invasores estão agora usando vídeos deepfake, vozes clonadas e identidades fabricadas para se passar por funcionários, freelancers ou recrutadores remotos. O objetivo é simples: convencer as empresas de que são legítimos para obter acesso a sistemas sensíveis a partir de dentro.
Uma questão de confiança
Diferente dos ataques tradicionais que exploram falhas técnicas, esses golpes combinam IA avançada com engenharia social. Ao conquistar a confiança de equipes de RH ou TI, os criminosos conseguem dispositivos, credenciais e acessos privilegiados para poderem roubar dados, instalar malware ou circular pelas redes corporativas sem levantar suspeitas.
Em um caso recente, a empresa de cibersegurança KnowBe4 foi surpreendida ao descobrir que havia contratado um agente ligado à Coreia do Norte. O indivíduo usou uma identidade norte-americana roubada e ferramentas de IA para modificar sua aparência durante entrevistas por videoconferência, passando-se por um engenheiro de TI, sendo desmascarado só após mecanismos internos de segurança da empresa acionarem alertas.
Como os golpistas enganam as empresas
Como no episódio da KnowBe4, os criminosos usam de ferramentas de IA para gerar videochamadas realistas, imitando vozes e produzindo documentos de identidade falsos convincentes. Combinando isso com informações de redes sociais e vazamentos de dados, eles conseguem criar perfis profissionais que parecem absolutamente autênticos.
É por isso que o cuidado com as informações compartilhadas publicamente, tanto por empresas quanto por funcionários, é tão importante. Colaboradores devem evitar acessar contas corporativas em redes Wi-Fi públicas sem a proteção adequada de uma VPN. E as empresas precisam garantir que seus times utilizem serviços confiáveis e pagos, já que muitas opções de VPN grátis não oferecem criptografia robusta, podendo armazenar logs de navegação ou até mesmo vender dados dos usuários.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
Embora sofisticados, esses golpes deixam pistas. Sinais clássicos são:
- Documentos inconsistentes. Divergências em nomes, datas ou certificações podem indicar fraudes.
- Comportamento suspeito em vídeo. Atraso na sincronia labial, movimentos faciais não naturais ou áudio distorcido podem revelar deepfakes.
- Pressão e urgência. Golpistas pressionam RH ou TI para criar contas imediatamente, ignorando procedimentos padrão.
- Recusa a verificações adicionais. Deve-se desconfiar de quem evita uma segunda chamada ao vivo ou validação de documentos.
Como as empresas podem se proteger
A proteção começa com verificação de identidade em múltiplas etapas. O CERT.br orienta que empresas adotem processos com confirmação por canais independentes e validação de documentos junto a órgãos emissores.
As equipes de TI devem exigir autenticação multifator, aplicar o princípio do privilégio mínimo e adiar permissões administrativas até a conclusão das verificações. O treinamento de funcionários é igualmente fundamental. O RH e equipes de suporte precisam reconhecer de imediato técnicas de falsificação assistidas por IA.
Verifique antes de confiar
A regra de ouro nesse contexto é a confiança zero durante a contratação remota. Devem-se empregar procedimentos robustos de verificação, com controles de acesso em camadas e treinamento contínuo. Só assim será possível se defender contra invasores que se escondem atrás de identidades digitais convincentes.